Por que as vacinas são aplicadas em lugares diferentes do corpo?

Seja de administração oral ou intramuscular, o importante é sempre se vacinar

Publicado em: 31 de agosto de 2021  e atualizado em: 4 de novembro de 2021
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As vacinas são um tipo de medicamento produzido a partir de partículas do próprio agente infeccioso; este pode inclusive estar presente seja na forma atenuada (enfraquecida) ou inativa (morta). Esse medicamento é capaz de induzir a uma imunidade específica ativa, protegendo ou evitando desenvolver a forma mais grave de determinada doença.

Ao longo da vida, uma pessoa deverá tomar vacinas que ajudarão na prevenção de uma série de doenças¹. Conheça quais as vacinas necessárias durante vida neste texto. Mas nem todas são administradas no mesmo local e neste artigo vamos explicar qual a diferença dos locais de aplicação:

Vacinas pela via de administração oral

As vacinas de via oral são produzidas com substâncias que são absorvidas pelo trato gastrointestinal, apresentadas de forma líquida, drágeas, cápsulas ou   comprimidos. Exemplos de vacinas por via oral: vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenuada) e vacina rotavírus humano G1P1 (atenuada).

Vacinas pela via de administração parental  

A mais comum forma de administrar as vacinas, porém, elas diferem em relação ao tipo de tecido em que a vacina será aplicada. São eles: intradérmica, subcutânea, intramuscular e endovenosa (exclusiva para aplicação de alguns soros).

  • Intradérmica: a vacina é aplicada na camada superficial da pele (derme). Esta via proporciona uma lenta absorção das vacinas e pode ter o volume máximo administrado de 0,5 mL. Exemplos de vacinas por via intradérmica: vacina BCG (saiba mais sobre esta vacina neste aqui) e a vacina raiva humana em esquema de pré-exposição.
  • Subcutânea: a vacina é aplicada na camada subcutânea da pele, chamada hipoderme. Neste local, o volume máximo é de 1,5 mL. Exemplos de vacinas: sarampo (mais informações  neste texto), caxumba, rubéola e a vacina da febre amarela (atenuada). Os locais mais comuns de aplicação neste tipo de via de administração são: região do deltoide no terço proximal (braço); face superior externa do braço; face anterior e externa da coxa e; face anterior do antebraço.
  • Intramuscular: neste caso, a vacina é aplicada no tecido muscular, com volume máximo de 5 mL. As regiões devem estar distantes dos grandes nervos e de vasos sanguíneos, sendo que o músculo vasto lateral da coxa (região ventroglútea) e o músculo deltoide (braço) são os locais mais recomendados.

Exemplos de vacinas aplicadas por via intramuscular: difteria, tétano, pertussis, Haemophilus influenzae b (conjugada) - falamos sobre a importância da gripe vírus influenza neste artigo - e hepatite B (recombinante); vacina adsorvida difteria e tétano adulto; vacina hepatite B (recombinante); vacina raiva (inativada); vacina pneumocócica 10 valente (conjugada) e vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada). A área ventroglútea é a opção de via para administrar as vacinas anti-hepatite B e varicela, como exemplos e alguns soros, como o antirrábico.

No caso de aplicação de mais de uma vacina ao mesmo tempo, o local mais indicado é o músculo vasto lateral da coxa, principalmente em crianças menores de 2 anos de idade. No adulto, deve-se evitar a administração de duas vacinas no mesmo deltoide, exceto se os imunobiológicos forem administrados por diferentes vias (uma subcutânea e outra intramuscular, por exemplo).

  • Endovenosa: o imunobiológico (soros antidiftérico, antibotulínico e antiveneno) é colocado direto na corrente sanguínea. Os locais mais utilizados são as veias periféricas superficiais e permite grandes volumes de líquidos.

É importante seguir a indicação da via de administração recomendada para a vacina, pois caso seja aplicada em local diferente, poderá interferir na resposta imune.

 

Fontes: 1. O que são vacinas e como agem no organismo? – Sociedade Brasileira de Imunização. Último acesso em 25 de agosto de 2021. 2. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação - Ministério da Saúde.  Último acesso em 25 de agosto de 2021.

Este material tem caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte sempre seu médico.
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